14 de mai de 2013

De Quistiláns a Soto del Real


-Menudo câmbio!.- Di-me o velho atracador madrilenho.- Antes no monte coas galinhas, e agora aqui metido!

Pois sim, eu venho da Galiza, dumha aldeia ou do que ainda fica dela, onde ainda mantém-se umha certa harmonia coa terra e a secular cultura galega mantém-se ainda viva, mas agonizante. E nom falo de "cultura" como falam os políticos, falo dum jeito de vida, dumha existência que se funde co entorno; e nom falo de "paisagem" como falam nas guias turísticas da Junta, falo de aproveitar o monte e cuida-lo, e disfrutar do rio e do horizonte; e nom falo de "galego da CRTVG", falo de cagar-se em Dios, mas também do "ghato" e da "ghadanha"; tampouco falo de "civismo", falo de dizer-lhe "ola" ao vizinho e comentar-lhe como vai a tarde e do cheio que leva o carretilho.

E nom, nom era todo idílico, estava (está) ainda muito por conservar e trocar. Há muitas costumes perdidas (como os contos a carom do lume) e outras impostas (como o automóvel, a televisom, ou o feisbuk), há ofícios perdidos e vidas de escravitude laboral, há casas abandoadas e chalés de "ricos"; há sabiduria e valores que se perdem, e muito machismo e medo paralisador que se conserva. Há cada vez mais eucaliptos, fala-se-lhe castelám ás crianças, e já case ninguém trabalha as terras, a história esquece-se e a identidade morre.

Um dia a aldeia encheu-se de polícias encarapuçados, e encheu-se também de moç@s que lhes berravam e lhes tiravam pedras, os meus irmáns.

Agora estou aqui, metido neste "búnker" a centos de kilómetros da terra, no que apenas vejo um muro, e um carcereiro pregunta-me se saim na Tv.

"...Nom nos entendem, nom."