14 de fev de 2013

O botom e o crime


O carcereiro preme o botom. Tras do cristal escuro, é difícil distinguir o seu rosto. O botom fecha e abre as portas
automáticas; mediante um "telefonilho" envía ordes ao preso: "Pátio?" "Teléfono?" "Médico?" Se nom há resposta imeiata
entende-se como umha negativa.

Por um buraco da porta, a comida. Por um pequeno cristal, uns olhos fam o "reconto" a umhas horas determinadas.
O "crime" ou "presunto crime" (segundo o Juiz emita condena ou dicte prisom provisional) é castigado.
Os corpos som depositados, almacenados. A vida do preso é reduzida a umha existência simple e regulada.


Ao redor dos "criminais" (presuntos ou condenados), outros homes manejam a engranagem. Día tras día, ano tras ano, controlam
os presos entrando e saindo, día tras día colhem o seu carro e voltam ao seu fogar, acenden a TV, beijam á sua mulher,
rifam com o neno ou fam plans para ir de férias a algum complexo termal.

Tras destes homes, dos carcereiros, os especialistas: o médico, o psicólogo, o educador, o traballador social observam,
entrevistam e redatam os informes. Por riba destes os poderosos legislam e/ou negociam: presupostos, guerras, territorialidade,
economía, etc.

"Artigo 72 do Reglamento Penitenciario. Medios coercitivos. 1. Son medios coercitivos aos efectos do art. 45.1 da LOGP, o
isolamento provisional, a força física pessoal, as defesas de goma, os aerosois de acçom adequada e os grilhetes."

Fago memória. Apenas dous anos atrás, topava-me sentado numha mesa, a jantar com o resto de trabalhadores do restaurante
onde choiava.
As palavras do cozinheiro en prácticas, leonês de orige, tras tomar cinco ou seis copas de vinho:
" - Eu cheguei a ser comandante no exército espanhol, na guerra dos Balcáns. Ia subido num tanque, sabes? e premia o botom
e ai levava aos que fossem por diante. Comecei de soldado "raso" e ascenderom-me, sacava mais de 2000 euros ao mês (...)
Na minha companhia dizia-se que se umha rapaça tumbada no cham os pés sobrepassam a beirarua, pois já está no tempo de dar-lhe."


                                    Fixo-se o silêncio, deixamos de comer.

"O crime individual acha-se sujeito a severos castigos. Em contraste, a agresom tecnológica nom é um crime (...) Os novos
sistemas de agresom destruem sem emporcar as mans, sem emporcar o corpo, sem incriminar a mente. O assasino permanece
limpo, tanto física como mentalmente. A pureza do seu mortífero trabalho logra umha aprovaçom adicional se se realiza
diretamente contra do inimigo nacional e em interese nacional".
                                                                    Herbert Marcuse

                     

Soto, 13 de Fevereiro de 2013